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Introdução
O processo de transição energética é um movimento que vem ganhando força no Brasil. Nessa corrida, um elemento vem conquistando cada vez mais visibilidade e se tornando estratégico para o país alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Estamos falando do Hidrogênio Verde (H2V), que recebe essa denominação, pois, em seu processo de produção, que é a partir da eletrólise da água, são utilizadas fontes de energia renováveis (eólica ou solar) sem provocar emissões de gases do efeito estufa.

Considerando a posição de destaque que o Brasil possui no cenário energético mundial, de acordo com dados da International Renewable Energy Agency (2024), o país ocupou a sexta posição no ranking mundial de capacidade instalada para a geração de energia eólica onshore e energia solar fotovoltaica em 2023. Apesar de a utilização dessas fontes de energias renováveis ser predominante no setor elétrico, com o hidrogênio verde, a eletricidade gerada por fontes renováveis ultrapassará os limites da rede elétrica, chegando a novos setores da economia (BNDES, 2022).

Setores
Dentre os setores nos quais o hidrogênio verde pode ser utilizado, destacam-se: o transporte, onde pode ser empregado como combustível para veículos FCEV (Fuel-Cell Electric Vehicles), ou seja, veículos elétricos a hidrogênio que utilizam células de combustível para gerar a energia necessária para movimentar o motor; a indústria, com destaque para a produção de metanol, insumo fundamental para a fabricação de plásticos e solventes, além da produção de amônia, matéria-prima essencial para a produção de aço, derivados de petróleo e fertilizantes; e a construção civil, onde pode ser utilizado como combustível para a eletrificação dos fornos na produção de cimento.

Desafios
O hidrogênio verde, embora prometa revolucionar o setor energético, ainda enfrenta alguns obstáculos consideráveis no Brasil. Os altos custos de investimento e a falta de infraestrutura para suportar a produção, o transporte, o armazenamento e a distribuição dessa fonte de energia dificultam o desenvolvimento do setor. No que diz respeito aos custos de transporte, pesquisas sugerem que estes podem triplicar o valor gasto na produção, especialmente em longas distâncias. Diante desse cenário, a garantia da viabilidade econômica do transporte e do armazenamento do hidrogênio verde é um fator determinante para sua ampla adoção (BNDES, 2022).

No que concerne ao armazenamento do hidrogênio, diversas tecnologias já existem e precisam ser adotadas para garantir o seu uso eficiente como fonte de energia em larga escala. A diversificação das modalidades de armazenamento, abrangendo desde terminais de exportação e postos de reabastecimento até o armazenamento geológico, é crucial para o sucesso da implementação do hidrogênio verde. Em relação ao transporte de longa distância, as opções mais promissoras são o transporte por gasodutos e a condução marítima por navios. Apesar do alto custo inicial, a construção de gasodutos para transportar hidrogênio é uma opção atraente a longo prazo, devido aos baixos custos operacionais e a longa durabilidade da vida útil da rede.

Não obstante aos desafios inerentes ao desenvolvimento do hidrogênio verde no Brasil, a região Nordeste, em virtude de seu notável potencial eólico e solar, emerge como um polo promissor para a produção em larga escala desse vetor energético. A crescente participação de investidores, evidenciada pela implementação de diversos projetos, especialmente nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco, demonstra o potencial da região nesse mercado.

Oportunidades
Diante do crescente interesse do setor de hidrogênio verde no Nordeste, a multinacional australiana Fortescue se destaca com um investimento de R$ 20 bilhões para a construção de uma planta no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), no Ceará. A planta terá capacidade para produzir 500 toneladas diárias de hidrogênio verde, utilizando energia renovável de uma fonte de 1,2 GW. Para facilitar o transporte em larga escala, o hidrogênio será convertido em amônia.

No Rio Grande do Norte, dois projetos se destacam na produção de hidrogênio verde. A Petrobras, em parceria com o SENAI-ISI, iniciou um projeto piloto na Usina Termelétrica do Vale do Açu, em Alto do Rodrigues, com previsão de iniciar as operações em 2026. O investimento de R$ 90 milhões será destinado à construção da planta, que será executada pela WEG. O hidrogênio produzido terá dupla aplicação: geração de energia e como aditivo para gás natural em microturbinas (Fontenele, 2024). Paralelamente, a CPFL Energia e a Mizu Cimentos anunciaram um investimento de R$ 40 milhões para a construção de uma fábrica de cimento verde em Baraúna, utilizando hidrogênio verde. A planta, com capacidade de produção de 1 megawatt e 250 toneladas de hidrogênio por ano, representa um marco na produção de cimento com menor emissão de carbono (Portal Sustentabilidade, 2024).

Em Pernambuco, a White Martins, líder no mercado de gases industriais, deu um importante passo na produção de hidrogênio verde no Brasil, iniciando as operações de sua planta no final de 2022. Com uma capacidade inicial de 156 toneladas por ano, a empresa atende inicialmente o mercado local, mas possui planos ambiciosos de expansão para atender a uma demanda crescente.

O Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo – PAX | RN, ciente da importância da transição energética e considerando o setor de energias, como uma de suas áreas estratégicas de atuação, apoia projetos relacionados ao hidrogênio verde, um vetor fundamental para um futuro sustentável.

Neste sentido, se essa temática te interessa que tal participar da construção de um futuro sustentável? O Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX | RN) está impulsionando a inovação no setor de hidrogênio verde, um vetor essencial para a transição energética.

Portanto, estamos conduzindo uma pesquisa sobre hidrogênio verde e queremos contar com você! Responda nosso formulário e contribua para o avanço dessa tecnologia essencial para a transição energética.

Para estudantes de técnicos em biocombustíveis, elétrica, eletrotécnica, eletromecânica, mecânica, química, segurança do trabalho, informática, logística, controle ambiental e energias renováveis. https://forms.office.com/r/pjNd0MQ88z

Para estudantes de graduação e pós-graduação em Engenharia de diversas especialidades e Superior em Tecnologia em Energias Renováveis. https://forms.office.com/r/NA67R6viXN

Para estudantes de graduação e pós-graduação em Economia. https://forms.office.com/r/AWBDi24adV

Juntos, podemos contribuir para a inovação e construir um futuro mais sustentável.

Referências

BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL (BNDES). Hidrogênio de baixo carbono: oportunidades para o protagonismo brasileiro na produção de energia limpa. Rio de Janeiro, 2022.

FONTENELE, L. F. A. Petrobras vai construir sua primeira planta para produção de hidrogênio renovável. Agência Petrobras, 10 out. 2024. Disponível em: <https://agencia.petrobras.com.br/w/inovacao/petrobras-vai-construir-sua-primeira-planta-para-producao-de-hidrogenio-renovavel>. Acesso em: 24 jan. 2025.

IRENA – INTERNATIONAL RENEWABLE ENERGY AGENCY. Capacity and generation: Country rankings. Disponível em: <https://www.irena.org/Data/View-data-by-topic/Capacity-and-Generation/Country-Rankings>. Acesso em: 24 jan. 2025.

PORTAL SUSTENTABILIDADE. Primeira fábrica de cimento verde do Brasil com Hidrogênio Verde será implantada no RN. Redação Portal Sustentabilidade, 27 ago. 2024. Disponível em: <https://portalsustentabilidade.com/2024/08/27/primeira-fabrica-de-cimento-do-brasil-com-hidrogenio-verde-sera-implantada-no-rn/>. Acesso em: 24 jan. 2025.

Escrito por: Maria Alessandra